Alterações Monetárias - Economia

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Trecho da obra de Nicole Oresme, ORESME, Nicole. Pequeno tratado da primeira invenção das moedas (1355). Trad. Maria Terenzi Vicentini. (e também) Nicolau Copérnico. Sobre a moeda. Curitiba: Segesta, 2004, 117p. Capítulo XVI - "O Ganho Proveniente da Alteração das Moedas é contra a Natureza" Mesmo considerando que toda a injustiça é contra a natureza, ainda assim, obter lucro com a alteração das moedas é uma injustiça que vai contra a natureza de modo especial. Coisa natural é que certas riquezas naturais se multipliquem e aumentem, tais como grãos, trigos e cereais, que, quando bem semeados e cultivados, o campo devolve em cêntuplo, como diz Ovídio; mas coisa monstruosa e contra a natureza é que algo que não pode procriar, algo absolutamente estéril e seco, frutifique ou se multiplique por si só, assim como ocorre com o dinheiro. E como é possível fazer com que esse dinheiro produza ganho em si e por si, não o oferecendo ou gastando em troca de riquezas naturais, segundo seu uso próprio, natural e lícito, mas recebendo-o e dando-o em troca de si mesmo, assim como quando se troca uma peça por outra, ou se dá uma por outra, esse ganho é vil, desonesto e antinatural. Por essa razão, com efeito, Aristóteles prova, no primeiro livro da Política, que a usura é coisa contrária à natureza, pois o uso natural da moeda é que ela seja instrumento para permutar e comprar as riquezas naturais, como ele afirma várias vezes. Quem, portanto, faz uso dela de outra maneira, comete um abuso e age contra a instituição natural da moeda, querendo que o dinheiro se reproduza parindo outro dinheiro, o que é coisa antinatural. Ademais, nessas alterações onde se auferem ganhos, chama-se de denário o que, na realidade, não é denário, e de libra o que não é libra, o mesmo ocorrendo com as outras moedas, como foi mostrado anteriormente. É evidente, portanto, que essas alterações não fazem outra coisa a não ser perturbar a ordem natural e racional, a respeito do que diz Cassiodoro: Dá ou empresta o teu soldo, e, se puderes, pega-o de volta igual; da mesma forma, dá uma libra e, se puderes, não a diminua em nada, pois, como é próprio de todas essas coisas serem comprovadas pelos seus nomes, ou as devolves e dás integralmente, ou não estás pagando com elas o que deves de direito. Não podes manter intactos os nomes e efetuar diminuições culposas. Com efeito, violar certos segredos da natureza, querer confundir as coisas mais certas, não é outra coisa senão mutilar cruelmente e vergonhosamente a própria verdade. O peso e a medida, acima de tudo, se conservem como prova da verdade, pois todas as coisas ficarão conturbadas se a sua integridade se misturar com a fraude. Além do quê, está dito também no Livro da Sapiência que DEUS dispôs todas as coisas segundo uma certa medida, peso e número; mas na alteração da moeda, não se obtém ganho se não forem cometidas fraudes em tais coisas, como já foi dito e comprovado. Opõem-se a DEUS e à natureza, portanto, aquele que obtém ganhos ou alguns lucros mediante essas alterações. http://www.segestaeditora.com.br/livros/pqno_tratado.htm

Category: Education
Uploaded: October 11th, 2008 @ 9:25 pm
Author: AleZawadzki

Length: 03:48
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Tags: dinheiro economia moeda nicole oresme

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